Esta sexta-feira (8) é o último dia para adquirir O Espinho e o Cravo, de Iahia Sinuar, pelo preço especial de pré-venda. O livro, publicado no Brasil pela Editora Democritos, será lançado neste sábado (9), às 17 horas, no Centro Cultural Benjamin Péret (CCBP), localizado na Rua Conselheiro Crispiniano, 73, no centro de São Paulo.
Durante a pré-venda, a obra pode ser adquirida por apenas R$235,00. A partir do lançamento, o preço passará a R$270,00. Os interessados podem garantir o livro e o acesso à versão digital pelo telefone (11) 99741-0436.
Com cerca de 800 páginas, O Espinho e o Cravo apresenta a história recente da Palestina por meio da vida de uma família palestina. O protagonista é Armédia, o mais novo entre os irmãos, que vive com seus familiares depois que seu tio é martirizado no início do livro, durante a Guerra dos Seis Dias, em 1967.
A guerra marcou uma virada decisiva na situação do Oriente Próximo. Naquele ano, os exércitos árabes foram derrotados pelo sionismo, e “Israel” ocupou Gaza, Cisjordânia, Jerusalém Oriental, Sinai e Golã. A partir desse acontecimento, Sinuar acompanha a vida palestina sob a ocupação, a resistência popular e armada, as prisões, as torturas, as operações dos serviços de inteligência israelenses e as diferenças políticas entre as organizações palestinas.
Um dos aspectos centrais do livro é a luta política dos palestinos dentro das prisões sionistas. Escrito pelo próprio Sinuar durante seu encarceramento, especialmente na prisão de Bersebá, o romance mostra que os presídios de “Israel” não foram apenas locais de tortura, isolamento e repressão, mas também espaços de organização e formação política.
No início da obra, os prisioneiros não tinham sequer o direito de conversar entre si nas celas. Nos horários de pátio, eram obrigados a caminhar sob vigilância permanente. Se atrasassem, eram espancados. Se avançassem demais, eram espancados. Se falassem, também eram agredidos.
Na década de 1970, antes da fundação do Hamas, uma greve de fome dirigida principalmente pelo Fatá conquistou direitos elementares para os presos palestinos. Entre eles, o direito de conversar dentro das celas e de usar o pátio sem a disciplina brutal imposta pelos carcereiros sionistas.
A partir daí, as prisões passaram a cumprir um papel decisivo na formação de militantes da causa nacional palestina. Muitos presos entravam sem grande conhecimento político e saíam com uma compreensão mais profunda da história da Palestina, da ocupação e das organizações da resistência. A Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP), que na época era a segunda maior organização da resistência palestina e se reivindicava marxista, também aparece nesse processo de formação.
Essa dimensão ajuda a explicar por que a libertação dos prisioneiros palestinos é uma das principais exigências da resistência. Nos cessar-fogos realizados desde a operação de 7 de outubro, a libertação de mulheres, crianças e dirigentes políticos palestinos presos por “Israel” esteve entre as reivindicações centrais. Entre os nomes mencionados está Maruane Barguti, dirigente do Fatá citado no fim do livro como uma das figuras que defenderam a continuidade da luta contra a entidade sionista.
No prefácio, datado de 2004, na prisão de Bersebá, Sinuar afirma que o livro não é uma autobiografia, embora todos os acontecimentos sejam baseados na realidade palestina:
“Esta não é minha história pessoal, nem é a história de nenhum indivíduo em particular, embora todos os seus eventos sejam reais. Cada evento, ou cada conjunto de eventos, pertence a este ou aquele palestino. A única ficção nesta obra é sua transformação em um romance girando em torno de personagens específicos, para cumprir a forma e os requisitos de uma obra novelística. Todo o resto é real; eu vivi isso, e muito disso ouvi da boca daqueles que, eles próprios, suas famílias e seus vizinhos, vivenciaram isso ao longo de décadas na amada terra da Palestina.”
Iahia Sinuar nasceu em 1962, no campo de refugiados de Khan Iunis, na Faixa de Gaza. Sua família era originária de Ascalão e foi expulsa durante a Nakba de 1948. Formado em Língua e Literatura Árabe pela Universidade Islâmica de Gaza, tornou-se uma das principais figuras da resistência palestina.
Em 1988, Sinuar foi preso por “Israel” e condenado à prisão perpétua. Durante o período em que esteve encarcerado, escreveu O Espinho e o Cravo. Para impedir que o manuscrito fosse destruído pelos carcereiros israelenses, prisioneiros palestinos copiaram trechos manualmente e esconderam as páginas. Esse trabalho coletivo permitiu que a obra fosse preservada.
Depois da atividade na capital paulista, O Espinho e o Cravo deverá ser lançado em outras regiões do País. Estão previstos eventos em capitais como Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre, nas semanas seguintes.
Via Diário Causa Operária

