O Manifesto por uma Arte Revolucionária Independente foi escrito no dia 25 de julho de 1938 por André Breton e corrigido pelo líder da IVª Internacional, Leon Trótski. Breton visitava Trótski, então exilado no México, sendo recebidos pelo pintor muralista Diego Rivera, que acabaria assinando o texto no lugar de Trótski para emprestar seu prestígio como artista ao movimento que se buscava criar, a Federação Internacional por uma Arte Revolucionária e Independente (FIARI). Às vésperas da Segunda Guerra Mundial, em meio ao fortalecimento do fascismo na Europa e dos “Processos de Moscou” na União Soviética, Trótski e Breton queriam organizar um movimento internacional de artistas e intelectuais em tempos de retrocesso político e ideológico com o crescimento do fascismo, por um lado, e a repressão stalinista dentro da classe operária.
Organizador da tomada do poder pelo Partido Bolchevique na Rússia em 1917, Trótski já estava exilado da União Soviética em 1927. O primeiro Estado operário do mundo estava dominado por uma burocracia que havia traído a revolução proletária inúmeras vezes. A princípio, o criador do Exército Vermelho buscou criar uma oposição revolucionária nos Partidos Comunistas e na IIIª Internacional, tomados pelo stalinismo, que aniquilava os oposicionistas em todos os países, impedindo o progresso do movimento operário.
A ascensão do nazismo na Alemanha viria a modificar essa política. A partir deste momento, após os erros grotescos do PC alemão que permitiram a subida de Adolf Hitler, e não havendo nenhuma reação nas organizações da IIIª Internacional, Trótski percebeu ser tempo de cindir com as organizações tomadas pela burocracia e formar novas organizações. Assim, em exílio, passando por vários países, ele propõe organizar a IVª Internacional, fundada oficialmente em 1938, reunindo os elementos da vanguarda revolucionária no mundo inteiro.
A Federação Internacional por uma Arte Revolucionária e Independente (FIARI) surge nesta situação. Conforme denuncia o manifesto, a intelectualidade humana estava suprimida, controlada e cooptada pelas forças reacionárias. De um lado, pelas forças capitalistas, decadentes em sua forma fascista ou “democrática”. Do outro, os “comunistas”, cooptados pelos interesses da burocracia contrarrevolucionária da União Soviética, encabeçada por José Stálin.
Trótski sabia que, para o futuro da IVª Internacional, seria necessário, além da classe operária, reunir o que havia de mais progressista na intelectualidade, formando uma vanguarda sólida para se opor à reação. Ele sabia também que a organização desta vanguarda tinha caráter de urgência, às vésperas de mais uma guerra imperialista, que abriria uma nova oportunidade para a vitória da revolução mundial. Para isso, reuniu dois artistas dos mais importantes e dos mais revolucionários: o pintor Diego Rivera e o poeta André Breton, integrantes de movimentos fundamentais da arte do Século XX, o muralismo mexicano e o surrealismo, respectivamente.
O manifesto, desta forma, denuncia o caráter contrarrevolucionário do fascismo e do capitalismo “democrático”, mas também da burocracia stalinista da URSS — que, durante algum tempo, manteve uma influência decisiva sobre parte da intelectualidade mundial. Além disso, o texto aponta questões-chave para a compreensão da criatividade humana na época da decadência capitalista — questões essas que foram se aprofundando com as mais de oito décadas que se passaram desde sua publicação.
Com os conceitos políticos e científicos destacados, o manifesto da FIARI é uma obra ímpar. É uma leitura obrigatória para qualquer revolucionário, mas também para qualquer artista, cientista e intelectual que almeje, através de sua obra, dar uma contribuição importante para o progresso e a cultura.




